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A doce Cora Coralina

Nasceu e viveu à beira do Rio Vermelho , na casa da ponte em Goiás Velho.Viveu 96 anos, só estudou até terceira série, teve seis filhos, quinze netos e 19 bisnetos. Foi comerciante, sitiante, voluntária da revolução de 32 , batalhou pelo voto feminino, foi uma doceira de mão cheia! Incansável, tudo fez sem jamais se afastar da poesia.

Depois de muita luta, inclusive com um casamento desastroso que ela carregou corajosamente,  só após a morte do marido sua vida se transformou . 


Perdeu o medo de escrever , digamos “profissionalmente”, quando completou 50 anos.Foi nessa época que Ana Lins dos Guimarães adotou efetivamente o pseudônimo de Cora Coralina.

Senhora de poderosas palavras, escrevia com simplicidade e nos mostrou poeticamente a sabedoria da escola da vida. 

Imagine a satisfação de Cora Coralina quando leu essa crônica: 

“Cora Coralina. Não tenho o seu endereço, lanço estas palavras ao vento, na esperança de que ele as deposite em suas mãos. Admiro e amo você como alguém que vive em estado de graça com a poesia. Seu livro é um encanto, seu verso é água corrente, seu lirismo tem a força e a delicadeza das coisas naturais. Ah, você me dá saudades de Minas, tão irmã do teu Goiás! Dá alegria na gente saber que existe bem no coração do Brasil um ser chamado Cora Coralina. Todo o carinho, toda a admiração do seu.”
                                 Carlos Drummond de Andrade, Rio de Janeiro, 14 de julho de 1979.


Seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás, foi publicado quando ela  já contabilizava 76 anos. Onze anos mais tarde compôs Meu Livro de Cordel e finalmente, com 94 anos , lançou Vintém de Cobre.
                              

Só depois de ter sua poesia reconhecida por Carlos Drummond de Andrade, que Cora Coralina, passou a ser conhecida por todo o Brasil.

 Sintam a admiração do poeta, manifestada em carta dirigida a Cora em 1983:

"Minha querida amiga Cora Coralina: Seu "Vintém de Cobre" é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia ( ...)."

É para nos deixar sem palavras, não é mesmo?



Por Pandorah

Carlos Drummond de Andrade, a voz da poesia

O mineirinho de Itabira, Carlos Drummond de Andrade, é autor de uma vasta obra poética, ora íntima, ora reflexiva e até mesmo sacana! E não é pra menos que é considerado o poeta-mor, o maior poeta brasileiro do século XX! Além de poesias ele também escreveu contos, crônicas e até uma novela. 

                                                     “Quando nasci, uma anjo torto 
Desses que vivem na sombra  
Disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida”

Drummond não era um só , era tantos! Ele soube ser reconhecido em vida e não se deixou morrer, mesmo negando ser um imortal! Isso porque ele nunca desejou ser membro da Academia Brasileira de Letras.


Imagine que, quando ele estudava, desentendeu-se com o professor de Português e foi expulso do colégio por insubordinação mental! Tempos depois, escreveu o poema “No meio do Caminho”, onde repete o verso “No meio do caminho tinha uma pedra”. Vários gramáticos criticaram e pregaram que o certo seria "Havia" e não "Tinha" uma pedra. Drummond respondeu: "Eles têm razão. A diferença é que eles são gramáticos e eu, poeta". 

O autor de “E agora, José?" fugia dos flashes e raramente dava entrevista . Mas o gauche, tímido e recatado, adorava passar trote por telefone nos amigos!

Entre outros prêmios, Drummond ganhou o Dia D, virou selo , cartão telefônico e pôs a cara e a poesia “Canção amiga” na cédula de cruzado novo. Infelizmente a homenagem na nota durou pouco, a moeda desvalorizou e saiu circulação. 


Foi farmacêutico por formação, sem nunca atuar;  pai de família e funcionário público. Carlos Drummond tinha um jeitinho diferente de andar, caminhava com os braços colados às pernas e com a cabeça baixa. Será que andava assim  atento às pedras no caminho?

Drummond falava das coisas simples e na medida do possível era acessível. Nos dias atuais , quem quiser chegar pertinho do poeta de “Farewell” é só caminhar pelo calçadão de Copacabana. Faça sol ou faça chuva ele está lá, pixado ou limpo, sentado em seu banco de costas para o mar . Ele está  também num banquinho lá em Itabira e agora aqui , declamando seus poemas! Vamos curtir?


Por Pandorah

O Príncipe dos poetas

Carioca, republicano, nacionalista, boêmio e botafoguense fanático, freqüentou os cursos de medicina e direito, mas formou-se em jornalismo. Ele foi poeta , contista , cronista, professor, inspetor escolar e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, em que ocupou a cadeira nº. 15. Fundou os jornais :“O Meio”, “A Rua” e “A Cigarra. 

Foi a favor do Serviço Militar obrigatório e letrista do belo Hino à Bandeira, ganhou por isso a alcunha de Poeta Cívico e de “Apóstolo” do serviço militar. Publicou muitas crônicas sobre o assunto , “O pau furado” foi uma delas

Às vezes, era Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar e em outras vezes ele mesmo, o incomparável Olavo Bilac! Um apaixonado pelas palavras! 


Ele tinha uma memória fantástica, sabia de cor seus versos e de outros poetas. Era um primoroso conferencista, encantava a todos com seus discursos. Muito popular , nos saraus típicos da época, seus poemas eram exaustivamente declamados. Foi por isso eleito “Príncipe dos poetas brasileiros” pela revista “Fon-Fon”. 

E por falar em fonfom, nosso grande poeta Olavo Bilac foi o causador do primeiro acidente automobilístico no Brasil!  Certo dia, estava dirigindo o Serpollet do amigo e abolicionista José do Patrocínio, com a com incrível velocidade de 3km por hora, perdeu o controle do possante e bateu de cheio numa árvore. Os amigos nada sofreram, mas o carro deu perda total!

No século passado, nossos escritores e poetas amavam a boemia e Olavo Bilac não era diferente! Adorava vinhos finos e mulheres bonitas, cigarros e charutos caros, bares e botequins. Deitava-se tarde e não tinha hora para acordar. E por essa razão foi expulso de casa aos 19 anos.

Era muito corajoso, não fugia de briga, chegou a marcar duelo de espada com Raul de Pompéia, mas duelou mesmo foi com o jornalista Mallet . A luta durou 4 segundos , Bilac o feriu e isso foi o bastante para a luta terminar. 

O escritor de “ Via-Láctea” foi noivo duas vezes, mas não chegou a se casar.  Consta que uma delas se manteve fiel a ele por toda a vida e que depositou um mecha de seus cabelos no caixão do poeta. 

Quanto aos sonetos, esse é outro enredo.Os poemas de Olavo Bilac falam por si. E que tal , enquanto isso , ouvir estrelas?


Por Pandorah

João Guimarães Rosa, o artista das palavras

O mineirinho Joãozito, nasceu com sobrenome de poeta: Rosa, na cidade de Cordisburgo. Formou-se médico e foi diplomata. Era poliglota , dominava o português , o francês , o alemão, o inglês, o espanhol, o italiano e alguma coisa de russo. Um estudioso de idiomas por curiosidade; e diplomata por concurso. Adorava gatos, cigarro e gravata borboleta. Mas ele gostava mesmo era de escrever e entrou para a história como um dos maiores escritores brasileiros. 

                            " Notícia, se a boa corre, a ruim avoa"

Na Europa em plena guerra , como cônsul, teve sua casa bombardeada, só não morreu porque teve uma vontade irresistível de comprar cigarros. Quando voltou , encontrou só escombros. Protegeu e facilitou a fuga de judeus perseguidos pela Nazismo, nessa tarefa , contou com a ajuda da sua segunda mulher Aracy. Em reconhecimento por essa atitude , o diplomata e sua esposa foram homenageados em Israel , o nome do casal foi dado a um bosque de Jerusalém.

"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem."


De volta para o Brasil e inspirado pela terra, costumes, pessoas e acontecimentos do dia a dia , Guimarães Rosa inicia as suas anotações sobre a vida do sertanejo e sobre o sagrado e o profano. Ele era capaz de descrever cada espécie, cada utensílio, cada tipo de gente, cada animal, cada tudo. É o artista da palavra e grande porta-voz da brasilidade. Fez do sertão das Gerais a sua fonte de inspiração, e das vozes dos conterrâneos a sua própria voz literária. Entre elas, a história do ilustre vaqueiro Manuelzão. 

               "O mundo é mágico. As pessoas não morrem, ficam encantadas."

Suas anotações sobre o povo sertanejo deram vida a sua obra-prima, “Grande Sertão: Veredas”. No mesmo ano publicou o conto “Corpo de Baile”. As duas publicações renderam o seu reconhecimento literário. Mas outros tantos livros se destacam, como “Sagarana”, “Noites do sertão” e "Ave, Palavra", sempre ambientados nas Gerais, nos tempos do carro-de-boi, dos boiadeiros e do trem do interior.
Joãozito tornou-se um dos maiores mestres da nossa literatura, um grande contador de histórias. ” Ele usava o símbolo do infinito, para terminar seus livros, como um ponto final que sugere a continuidade e o sem-fim. 


O contista, novelista, romancista  João Guimarães Rosa foi eleito por unanimidade para integrar a Academia Brasileira de Letras, muito supersticioso preferiu adiar a cerimônia com medo de morrer de emoção. Pensado, dito e feito , três dias depois que assumiu a cadeira nº2 na Academia, veio a falecer.


Por Pandorah

O pai do Pequeno Príncipe

No auge da Segunda Guerra Mundial, um francês , com seus sonhos de menino, escreve uma fábula,um clássico,um hino de esperança e fraternidade ! O livro em questão é o Pequeno Príncipe, uma pérola, um legado do escritor Antoine de Saint- Exupéry para a humanidade . 

Em mais de sete décadas é o livro francês mais vendido no mundo, foi traduzido em mais de 200 idiomas e dialetos. Além de escrever, Antoine de Saint-Exupéry também desenhou todas as aquarelas que aparecem no livro. 


“Desenha-me um carneiro”? Assim começa o diálogo entre um aviador que despencou de um avião com um principezinho. Um menino sonhador, misterioso e cativante de cabelos dourados, vindo de um micro planeta,onde tinha três vulcões, um extinto e dois ativos, e uma linda, formosa e orgulhosa rosa. Um dia ele decide partir, conhece diferentes planetas, até que alcança a Terra. Ele fica intrigado com os humanos, seres que estão sempre apressados em partir sem saber para onde ir. O enredo tem um tom filosófico e poético que encanta , é um convite à criança que há dentro de nós, para que não tenhamos medo de sonhar, amar e voar. É inexplicável o que esse livro nos transmite em poucas páginas, lindas frases, lindos conceitos, é um aprendizado para a vida toda!


       "Cada um que passa em nossa vida,passa sozinho, pois cada pessoa é única  e nenhuma substitui outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só  nem nos deixa sós. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo.Há os que levam muito,mas há os que não levam nada.Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,e a prova de que duas almas
não se encontram ao acaso. "

(Antoine de Saint-Exupéry)


O escritor Antoine de Saint- Exupéry foi um piloto aventureiro, daqueles que fazem manobras arriscadas e também transportava correspondências . E foi assim que ele deu as caras por aqui , melhor dizendo em Florianópolis, onde tinha uma base de abastecimento para aviões . E por lá o escritor ficou conhecido como “Zeperri”. Mas para o mundo ele é conhecido como o pai do Pequeno Príncipe. 


Antoine de Saint-Exupéry escreveu outras obras entre elas estão“ O Aviador” e “Vôo Noturno”,  onde cita a cidade de Florianópolis. 

Ele desapareceu numa missão durante guerra, um ano depois que publicou “O Pequeno Príncipe”. Seu corpo jamais foi encontrado, foi durante décadas um dos maiores mistérios da aviação! Somente no ano de 1998 , um pescador pegou em sua rede uma pulseira prateada, continha o nome de Saint- Exupéry. Depois de várias buscas na área , o motor foi içado do Mediterrâneo e foi comprovado então que o P-38, pilotado pelo escritor, fora abatido durante a guerra.

              

Por Pandorah

Oscar Wilde, o amante dos prazeres!

O "cara" deixou vários contos infantis, novelas e peças de teatro e um único romance: O Retrato de Dorian Gray, considerado uma obra prima da literatura inglesa e várias vezes convertido para o cinema Na época causou polêmica, sendo considerado imoral pela sociedade vitoriana de mentalidade puritana e valores rígidos.


" Viver é a coisa mais rara do mundo - a maioria das pessoas apenas existem."
                                                                                                          Oscar Wilde

O livro conta a história de Dorian Gray , um belo e inteligente jovem que serve de modelo para um quadro e, ao ver sua beleza retratada, deseja ficar daquele modo para sempre! Seu desejo é atendido. Então a pintura vai envelhecendo e a vida do jovem vai desmoronando. O quadro torna-se cada vez mais repugnante a cada ato de maldade de Gray. Este romance foi censurado e banido, mas marcou a transição do período vitoriano para o moderno.


O poeta, dramaturgo e escritor , Oscar Wilde, criador deste romance, Retrato de Dorian Gray, foi um irlandês boêmio e escandaloso, que morreu com apenas 46 anos em 1900. Era muito lindo e charmoso, a cara do ator Hugh Grant! Talvez tenha sido o primeiro metrossexual da história, um poderoso antecessor do cantor David Bowie!


"Um cínico é um homem que sabe o preço de tudo , mas o valor de nada" 
                                                                                      Oscar Wilde     

Wilde foi um gastador inveterado, muito inteligente, comunicativo, carismático e muito sedutor. Era um bocado crítico e gostava de chamar atenção , usava umas roupas muito estranhas para a época, bastante berrantes e estilosas! Foi casado , teve dois filhos e uma grande paixão por outro homem. Numa época em que ser gay era uma ofensa criminal, ele foi perseguido, julgado e condenado por sodomia.


E alguns trechos do romance "Retrato de Dorian Gray" foram utilizados pela acusação durante o julgamento do escritor, sob a justificativa de serem imorais e de fazerem apologia à sodomia. Teve que cumprir dois anos de prisão com trabalhos forçados.

Veio então a decadência, toda sua fama e sucesso financeiro começa a desmoronar. Suas obras e livros são recolhidos , suas comédias tiradas de cartaz , perdeu a tutela dos filhos e teve seus bens leiloados para pagar o processo judicial. Oscar Wilde, espirituoso e brilhante escritor, morreu pobre e sozinho , mas jamais foi esquecido, é admirado e relembrado pela genialidade! 

      " Estamos todos na sarjeta , mas alguns de nós estão olhando as estrelas" 
                                                                                          Oscar Wilde


Se a arte e o amor têm seu preço , realmente Oscar Wilde pagou caro, transformando-se em um "cara"  que, mesmo na sarjeta , olhou as estrelas.

Por Pandorah


Lygia Fagundes Telles, eterna dama

É preciso ter cuidado com essa mulher, ela quer nos mostrar o que  geralmente não vemos: tristezas antigas, mistérios e paixões que nunca morrem. Ela mistura lembranças com imaginação, realidade com fantasia. De repente já não sabemos o que é uma coisa ou outra, sabemos apenas que estamos refletindo e presos em seus livros. O perfil e a alma da mulher estão muito presentes nos personagens criados por essa grande dama das letras: Lygia Fagundes Telles. Embora ela seja a maior contista brasileira, suas obras de maior sucesso são “Ciranda de Pedra” e “ Disciplina do Amor.” O primeiro livro citado foi transformado em novela de grande sucesso na Rede Globo, e o segundo foi recentemente reeditado. 


A paulistana e ariana Lygia Fagundes Telles fez direito e se tornou Procuradora do Estado de São Paulo, casou-se duas vezes, teve um filho e é mãe de 17 livros de contos e romances traduzidos em várias línguas. Quando jovem ganhou o título de Princesa dos Estudantes, participou ativamente do Grêmio Estudantil organizando saraus com famosos autores, entre eles Cecília Meirelles e Guimarães Rosa. Teve a oportunidade de se apresentar a Monteiro Lobato quando ele estava preso e este retribuiu o carinho chegando de surpresa em seu aniversário, levando flores. 


Suas grandes amigas foram as escritoras Clarice Lispector e Hilda Hilst. E, de seu ciclo social, só feras faziam parte: Manuel Bandeira , Carlos Drummond de Andrade, Érico Veríssimo, Darcy Ribeiro, Cyro dos Anjos e Paulo Emílio Salles Gomes, com quem foi casada. 

Lygia Fagundes Telles é uma mulher linda de 91 anos, de pele intocada pela cirurgia plástica, de bem com a vida, bem humorada, simpaticíssima, estilosa e elegante como seus escritos! A dama das letras tem ganhado condecorações e prêmios ,entre eles o Camões e dois Jabuti e a imortalidade na Academia Brasileira de Letras e na Academia Paulista de Letras. Admirável e eterna Lygia e suas histórias deliciosas! 


Por : Pandorah

Monteiro Lobato, pai da literatura infantil

Monteiro Lobato foi pioneiro a perceber que se podia aprender brincando. Pensando assim , publicou um pequeno conto “ A Menina do Narizinho Arrebitado”. Foi um grande sucesso! Começaram, então, as aventuras de Narizinho com toda turma do Sítio do Picapau Amarelo.    


♪ ♪ ♫ Marmelada de banana, 
bananada de goiaba 
goiabada de marmelo 
Sítio do Pica-Pau amarelo 
Sítio do Pica-Pau amarelo ♫♫♪

No Sítio,  a realidade e o "faz de conta" se misturam, tudo é possível... Tem de tudo: fadas, duendes, anjos, bruxas, soldados ingleses, seres mitológicos e personagens do folclore brasileiro como o Saci, a Cuca, a Mula-sem-cabeça, a Iara, o Lobisomem, entre outros. O Sítio do Picapau Amarelo virou série de tv , ficou no ar por décadas!


Que criança não gostaria de morar num lugar como o Sítio do Picapau Amarelo? Ouvir e viajar com Dona Benta contando histórias , atirar pedras com o estilingue de Pedrinho, comer jabuticaba no pé com a Narizinho, comer os deliciosos bolinhos de chuva da Tia Nastácia, mexer no bauzinho cheio de cacarecos da boneca Emília, entrar no laboratório do Visconde e tocar o pó de pirimpimpim de pertinho, aprender caçar Saci com tio Barnabé, correr de medo da Cuca... Nossa, como eu viajei por lá!

♪ ♪ ♫ Boneca de pano é gente, 
sabugo de milho é gente ,
O sol nascente é tão belo! 
Sítio do Pica-Pau amarelo 
Sítio do Pica-Pau amarelo ♫ ♪ 

José Renato Monteiro Lobato não realizou seu sonho de ser pintor , mas foi um grande artista das palavras, um revolucionário e exerceu várias atividades. Além de promotor de justiça, foi tradutor, contista, ensaísta, fazendeiro, vendedor de doces caseiros ( geléia de goiaba), agente comercial, jornalista, editor ( fundou a primeira editora no Brasil) e é o Pai da Literatura Infantil no Brasil. E não parou aí, se meteu até a perfurar petróleo e se deu mal ; por suas atividades e ideias foi preso, cumpriu seis meses de prisão. 

Durante toda sua carreira literária produziu 26 títulos destinados às crianças e outros para adultos. No ano de 2002 foi criada uma lei que registrou o seu nascimento(19/04) como data oficial da literatura infanto-juvenil no Brasil.


O Brasil mudou e o autor infantil mais popular do país foi levado ao Supremo Tribunal Federal. Uma grande polêmica gira em torno dos livros “As Caçadas de Pedrinho” e “ A Negrinha “, contra o uso dos livros pelo PNBE , alegando-se cunho racista.



Por Pandorah

Imortal Ana Maria Machado

Não é fácil escrever um livro e fica mais difícil ainda quando o autor inverte o enredo. Foi o que fez Ana Maria Machado no livro História Meio ao Contrário. O clássico “Era uma vez...” foi colocado no final. O livro dela começa assim:  "E então eles se casaram, tiveram uma filha linda como um raio de sol e viveram felizes para sempre".

Ana Maria Machado é dona de um sorriso contagiante e imaginação pra lá de fértil, professora, tradutora, pintora e escritora. Escreveu mais de cem livros infantis, um mais fofo que o outro, publicados em dezessete países! Ela também escreve para gente grande, lançou recentemente o romance Infâmia e o Tropical Sol da liberdade que fala sobre o exílio!


E por falar nisso, em 2012 ela concorreu ao Prêmio Jabuti com o livro Infâmia. Era favorita de dois dos três jurados, mas o mais inacreditável aconteceu, ela não ganhou , pois o “Jurado C” deu zero para o livro ! Acho que ele é do contra, ops, “meio ao contrário”! 

Mas como bem diz o ditado "o que é do homem o bicho não come", o livro Infância , no ano de 2013, levou o prêmio Zaffari Boubon de Literatura e faturou $150 mil, bom nenão?


Ana Maria Machado nasceu na véspera de Natal, começou a carreira como pintora,  mas trocou os pincéis pelas palavras. Esse era o início de uma bela história! No período da ditadura ela resistia participando de reuniões e manifestações, foi presa, deixou o Brasil, partiu para o exílio levando cópias de algumas histórias para criança que estava escrevendo na época. 

De volta, fundou no Rio a primeira livraria infanto-juvenil. As suas histórias, antes publicadas em revistas, passaram a sair em livros. Ana Maria Machado ganhou o prêmio João de Barros por ter escrito “História meio ao contrário” e, de lá pra cá, não parou mais de escrever livros e ganhar prêmios, inclusive o Nobel da Literatura Infantil Mundial: o  Hans Christian Andersen e o maior prêmio literário Nacional : o Machado de Assis.

Desde 2003 Ana Maria Machado é uma imortal, ocupa a cadeira 1 da Academia Brasileira e Letras. Em  2011 foi eleita, por unanimidade, presidente da ABL  para o exercício de 2012.

                                   

Por   Pandorah

O eterno menino maluquinho

Zi da mãe Zizinha, raldo do pai Geraldo, nasce Ziraldo, um mineirinho de Caratinga que se tornou escritor, dramaturgo, pintor, desenhista, cronista , jornalista, cartunista e o nosso eterno "menino maluquinho"! A vida de Ziraldo é recheada de variadas produções e seus livros já foram traduzido para vários línguas: inglês,alemão , italiano , espanhol e, para meu espanto, até em esperanto!

Nos anos 60 Ziraldo fez sozinho uma revista de quadrinhos: a Turma do Pererê, um gibi que fez a nossa alegria! Depois da revistinha, ele publicou Flicts, o seu primeiro livro infantil. O livro fez tanto sucesso que até Neil Armstrong, aquele americano que foi para o espaço, quis conhecê-lo para dizer que: “ A Lua é Flicts”! Esse livro também lhe rendeu em 2004 , o prêmio internacional Hans Christian Andersen,o Nobel da literatura infantil.
  

Além dos inúmeros talentos e inúmeros coletes (+ de 300), Ziraldo é bom de política . Ele passou os anos de chumbo fazendo o ‘Pasquim’, um tablóide de oposição à ditadura , o que lhe custou três prisões. Teve seu processo de anistia aprovado, foi indenizado em mais de R$ 1 milhão e recebe pensão vitalícia de R$ 4.375,88. Lançou a Revista "Bundas", satirizando a Revista "Caras" e fazendo piadas dos políticos.

Ziraldo não cansava de trabalhar e nos anos 80 lançou o Menino Maluquinho. E nestes anos todos, O Menino Maluquinho foi para o teatro, cinema, televisão, virou músicas, parque temático em Brasilia,  tiras diárias de jornal, história em quadrinhos, livro de mágicas, livro de receitas infantis, manual de sobrevivência, pensamentos, de anedotas, manual de primeiros socorros, estátua gigante em Caratinga e até uma cantata e uma ópera!! Ufa!Ô loko meu!


Mesmo não sendo um educador, Ziraldo tornou-se  um expert na área, ministra palestras para professores e sua presença é frequente em eventos relacionados à educação.

Por Pandorah

Nonsense

O inglês , matemático Charles Dodgson , com o pseudônimo de Lewis Carroll, escreveu  há mais de dois séculos , um dos mais fascinantes e misteriosos livros , o clássico Alice no país das maravilhas. É uma obra nonsense , ou seja, absurda.!

Alice, uma menina que cai num buraco de coelho e descobre um mundo surreal . Ela cresce e diminui comendo cogumelo. Um coelho que usa colete e relógio mas parece estar sempre atrasado. Um chapeleiro maluco que foge da rainha de copas e só surge na hora do chá. Um gato Cheshiree que aparece e desaparece aos poucos, começando pelo rabo e terminando pelo sorriso. Mesmo confuso, o gato é o único personagem que tenta explicar alguma coisa para Alice . 


É um enredo diferente , improvável, com enganos, fuga da realidade, ilusão, loucura e jogo de palavras; estes são alguns dos assuntos da obra nonsense. É algo que nem é, e nem pode ser, ou pode? Sei lá, pelo sim pelo não, vamos fantasiar . Afinal “a fantasia não é exatamente uma fuga da realidade. É um modo de entendê-la". 


Na realidade, Dogson era gago, tímido e surdo de um ouvido , adorava fotografar crianças! "Adoro crianças, exceto meninos" dizia ele. Só não gaguejava quando estava fotografando-as.

Foi passeando de barco que Dodgson contou de improviso uma história, para entreter três irmãs: Lorina , Edith e Alice. Dodgson transformou a história em um livro. Um livrinho que ele escreveu e ilustrou de próprio punho e deu de presente para a garotinha Alice, sua grande paixão! Foi um envolvimento platônico. Nonsense!?




Por Pandorah

A um bruxo, com meu amor também.

Nasceu no Morro do Livramento no Rio de Janeiro . Era neto de escravo, filho de uma lavadeira e um pintor de parede. Além de mulato, era pobre, míope, gago e sofria de epilepsia. Foi engraxate, vendedor de bala e não teve uma educação formal, mas aprendeu a ler e escrever. Só que,  além do português ele aprendeu francês com um padeiro e o inglês e o alemão estudando sozinho. Era apaixonado por xadrez e livros. 

Certa vez, foi demitido de uma tipografia por estar lendo escondido. Casado, morou até morrer no Cosme Velho, 18, numa ruazinha sossegada. Diante de sua casa, havia um riachinho, ladeado por um pequeno muro de pedra. Era aí que ficava a famosa Bica da Rainha, cujas  águas tinham propriedades miraculosas: transformavam senhoras e senhoritas, pouco ajudadas pela natureza, em lindas mulheres. 

Superando todas as dificuldades, tornou-se jornalista, poeta, dramaturgo,escritor romancista,cronista, contista, crítico literário e presidente da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira nº 23. Foi consagrado em vida, teve sua imagem estampada na cédula de mil cruzados.
                                                                                                               
Estou me referindo ao maior escritor que o Brasil já teve : Machado de Assis! Um cidadão negro, brasileiro, um cara humilde que tinha tudo para não dar certo. Não teve riqueza, mas graças a literatura conseguiu a glória , a imortalidade! 


Ele escreveu romances, contos, poemas, crônicas , peças de teatro, críticas literárias e teatrais. A obra de Machado de Assis é vasta. Livros mais vendidos? Dificil citar,  mas Memórias Póstumas de Brás Cubas é imperdível além do intrigante Dom Casmurro. Personagens famosos? Sem medo de errar, vou citar Brás Cubas, Quincas Borba, Helena, Bentinho e Capitu .


As obras de Machado de Assis correram o mundo, foram traduzidas em alemão , dinamarquês , holandês , árabe , polonês , romeno , sueco , theco e estoniano. Se fosse nos dias atuais, com certeza estaria no topo e no ranking da revista Forbes .

Ele trabalhou no Ministério da Agricultura, era encarregado de dois assuntos: cuidar e acompanhar a aplicação da Lei do Ventre Livre e tratar da Política daTerra. Essas batalhas cotidianas, muitas das quais o Machado perdia, acabou tendo influência grande na maneira como ele passou a representar a sociedade. 

Muitos intelectuais renomados internacionalmente rasgam elogios ao genial Machado de Assis. Os gringos descobriram aquilo que nós já sabíamos: que Machado de Assis é craque e poderia jogar em qualquer time dos melhores contistas e romancistas do mundo! Além de ser o Pelé da Literatura, é também o Bruxo do Morro Velho! Esse apelido ganhou força quando Drummond dedicou a Machado de Assis o poema: A um bruxo, com amor, e com o meu também!



Por Pandorah

Harry Potter , o tesouro de J.K.Howling

Ela nunca desistiu do sonho de ter um livro publicado. No início dos anos noventa fazia sua filha dormir e a levava, no carrinho de bebê, até um café. E assim, durante seis anos ,  entre um café e outro e o cochilo da filha, J. K. Rowling escrevia as aventuras do personagem de maior sucesso dos últimos anos: o menino bruxo, Harry Potter!

Quando , enfim, conseguiu terminar de escrever Harry Potter e a Pedra Filosofal, encaminhou-o para as editoras . Não foi fácil publicá-lo, oito editoras recusaram alegando ser grande demais para as crianças. Mas ela não desistiu e insistiu até conseguir. Nem ela e ninguém imaginava que milhões de crianças deixariam de ver televisão para ficarem quietas, encantadas com o menino bruxinho que vivia num mundo fantástico, cheio de feitiços com seres esquisitos e línguas estranhas .


J. K. Rowling não perdeu tempo e rapidinho escreveu a sequência, outros seis livros viraram best-sellers ! Todos os livros foram adaptados e viraram filmes, com grande sucesso de bilheteria e indicações para o Oscar. A saga, além de bater recordes e receber inúmeros prêmios, foi e ainda é uma das mais exploradas comercialmente no mundo, virou febre, virou mania , virou Pottermania !

Imagine como foi escrever essa saga que durou uma década ( 1997 a 2007 ) vendendo milhões de livros e filmes. Não é à toa que J.K. Rowling é considerada, pelos fãs, como a rainha da Inglaterra. E, não foi por pouco que ela se tornou a primeira bilionária $$$$$$$$ vendendo livros e direitos autorais sobre seus personagens.

















A mulher é mesmo uma máquina de produzir e fazer sucesso! Além do Harry Potter ela lançou outros livros, um deles com o pseudônimo Robert Galbraith " O Chamado do Cuco". O livro policial  vendeu apenas 1500 exemplares mas,  depois da revelação do verdadeiro autor, as vendas dispararam!


Por Pandorah

Pop, top Paulo Coelho !

O "cara" vive numa bonança só: passa longas temporadas fora do Brasil em suas propriedades: um duplex em Genebra, Paris, Barcelona, uma mansão mobiliada em Dubai (presente de xeque), entre outras.  Em Santiago de Compostela tem até nome de rua.

Não é senhor dos anéis(mas usa um com duas cabeças de serpentes), não é dono do mundo, mas é top e, em alguns lugares, bastante aclamado! Carioca e autor de 20 bestsellers, seus livros vendem mais que banana! No Irã é recordista em edições piratas! O ex-presidente norte-americano Bill Clinton e outras celebridades mundiais foram vistas com um dos seus livros. É o único escritor brasileiro que esteve ao lado do Bono Vox, Peter Gabriel, Sharon Stone e Angelina Jolie, o único citado por Madonna e Will Smith em entrevistas e cantado por Bruce Springsteen! O “cara” tem estatura mediana, físico jovial, cabeça raspada, um tufo de cabelo na nuca, sorriso discreto, bigode e cavanhaque grisalhos e está sempre de preto. Sacaram quem é? O próprio, o pop star planetário, o nosso mago Paulo Coelho! 


Quando adolescente ele quebrava tudo à sua volta. Foi internado e diagnosticado como “esquizóide”e, mais tarde, com“síndrome de Estocolmo”. Foi hippie e usou maconha, haxixe e o LSD. A sexualidade para ele não tinha limites, teve experiência homossexual e grupal. Fez grandes parcerias musicais, principalmente com Raul Seixas. Viajou pelo mundo e teve experiências em sociedades secretas e orientais, filiou a uma entidade esotérica e hoje é considerado um mago e também um imortal! 

É membro da ABL, mas nunca foi convidado para a Festa Literária Internacional de Paraty. Apesar de tanto sucesso, tem sido rejeitado pela crítica brasileira. Dizem que ele é ruim porque vende muito e o mundo aceita como bom, ou porque tem os melhores tradutores que, como Midas, tocam na obra e a fazem valer ouro!

  

Ninguém pode tirar, diminuir e abafar o sucesso e o mérito de Paulo Coelho. Ele tem a receita, coloca em fusão os ingredientes, dá aquele toque, e, com aquela magia, salpica condimentos certos e fisga o leitor! É um ponto de partida, depois basta seguir adiante. 

Por Pandorah