Image Map
Mostrando postagens com marcador Causos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Causos. Mostrar todas as postagens

Artilheiro do Marabá Clube

Há um outro fato que o Geraldo Magela não se lembrou de contar em seu livro: Ele era presidente do Marabá Esporte Clube, em que eu jogava. Em um domingo , depois da missa, fomos jogar futebol no campo da Vila Vicentina e, por volta de 11:30 h, estávamos voltando para almoçar, quando uma turma que jogava em frente à casa do Sebastião Muniz nos desafiou para uma partida. O Magela prontamente aceitou o desafio. Contudo , eu, como bom calabrês, recusei-me a jogar. O Magela insistiu para que eu jogasse e acabei indo. Acontece que, no campo, indisciplinadamente e por capricho eu chutava a bola para qualquer lado, inclusive para o nosso próprio gol. Assim , fui expulso do campo e do clube por um bom tempo. Só voltei a jogar no Marabá depois que o “ Dunga Magela” , diante da insistência de “ toda a comissão técnica” , convocou-me novamente para integrar o elenco. 
  

Tal regresso se deu justamente no jogo em que ganhamos de 9x 0, sendo que eu marquei 6(seis) gols nessa partida.

Por Altamyr Ordine

Primor de prima

Quem não teve um ato falho dê um joinha ai!! Vou transcrever aqui um email que enviei para duas primas.


Primas do coração! 
A prima aqui , que vocês dizem que faz tudo com primor , apurou a pouco que fez uma barafunda!!!Nesta linda e ensolarada tarde de março, fui decidida enviar-lhes o cds do primo, que gravei . Mas, caminhando pela praça, encontrei um amigo... conversa vai, conversa vem, comentei o enredo e ele quis uma cópia também. 
Então, fui com ele na papelaria pra comprar um cd virgem . De dentro da papelaria vi o carro do Sedex chegando , apressei-me e fui correndo para o correio. 


Enfim, eu tinha certeza que havia enviado os cds gravados! Massss chegando em casa fui fazer a gravação e o cd não estava virgem! Virge Maria, mandei por Sedex um cd vazio!!!Que bela lambança!!!
Prima loira, o seu cd chegará na segunda. Prima morena, o seu na quarta-feira!  Quem receber uma caxinha bunitinha com um cdzinho lindo e vazio me diz q enviarei este que está na minha mão!!!
Mill desculpas pelo ato falho, pela khda , pelo meu "desprimor"
Bjos.

Para enviar os cd , comprei duas embalagens próprias. Coloquei um cd em cada caixinha e mandei por SEDEX . Uma caixinha foi enviada para Brasília e a outra foi para Itaú de Minas.   
Dois dias depois, soube que o cd virgem foi bem mais longe, voou para a capital!

Por : Prima de Caldas

A "bicicreta" do Odair

Odair da Chica, um homem simples e humilde , tipo Jeca tatu, morava lá pelas bandas do Rio Verdinho. No Natal de 1968 se presenteou com uma bicicleta Monark vermelha , comprou em 12 prestaçoes de cr$ 27,00 . Odair demorou uma semana pra dominar a bichinha. 

No primeiro fim de semana tratou com seu cumpadre e amigo Zé Varinha , pra pescar no Rio Verde. Sairam de madrugadinha , sem alarde pegaram a estrada, Zé a pé e Odair pedalando sua nova bicicleta com as varas presas no canote do celim ! Depois de uma hora e meia chegaram no rio e foram pra beira do barranco. Zé Varinha cansado sentou e começou a iscar as varas. Odair sacou do embornal as biritas e a farofa e foi procurar gravetos pra fogueira, iriam virar a noite ali. Com as varas nas mãos, cada um foi para um canto do barranco. A noite já caindo ,Zé Varinha disse:

_ Primu, mió amoitá a bicicreta, pamodi ninguém vê.

Odair que já tinha bebido muitos tragos, cambaleando e escorregando pegou a bicicleta e entrou mato adentro. A lua já estava alta no céu e a fogueira que Zé Varinha acendeu já estavam estalando os últimos gravetos, quando Odair deu as caras.


_ Que demora sô , já tava preocupado cumpadi! Amoitô a bicichinha?

_ Amoitei lá na meio da mata virge_ Respondeu Odair sentando e virando a birita.

As varas de pescaria fincadas no barranco e os dois , Odair e Zé varinha, enchendo a cara. Assim foi a noite toda...

Quando o fogo passou levantaram e arrumaram as tralhas. Odair entrou no mato pra buscar a bicicleta...demorou...demorou...demorou....e quando voltou , voltou de mãos abanando.

_ Num achei minha bicicreta cumpadi Zé! - disse Odair triste e agoniado.

_ Carma primo vô te ajuda a procurá.

Procuram, procuram dias, semanas, meses e nada. Odair amoitou tão bem que só depois de anos a bicicleta foi encontrada, já incorporada no mato.


Por Cristina

Carregando a Bateria


      Outra história de humor do meio rural vou relatá-la, pois se trata de algo cheio de humor caldense. É a história de três irmãos. Os seus nomes não me foram passados, mas quem sabe do fato certamente saberá de quem estou falando.

     Num dia, depois da venda de uma colheita de milho, os três sentaram para decidir o que fazer com o dinheiro ganho. Um deles sugeriu:

     -Vamos guardar o dinheiro no banco: é mais seguro.

     Outro discordou:

    - Não vamos guardar nada. Sou de opinião de que devemos comprar um Jeep. Será muito bom para nós.

    O terceiro irmão gostou da ideia e ficou resolvido pela compra do Jeep.

     Passaram-se dois dias, encontraram um Jeep à venda. Combinaram o preço, experimentaram a máquina, gostaram e o negócio foi fechado.

    Já era noite quando chegaram na fazenda, por isso guardaram o Jeep e foram dormir, felizes da vida.

    No dia seguinte, o irmão mais velho pensou:

   - Vou sair rápido. Quero ser o primeiro a ver o Jeep.

   Saiu correndo. Quando abriu a porta da cozinha, viu seus dois irmãos dentro do carro dos sonhos. Resolveram passear de carro. Ao dar a partida, veio a surpresa: o Jeep não pegava de jeito nenhum. Saíram, a pé, à procura de um mecânico que explicou o defeito:

   - Deve ser a bateria que está descarregada. Tem que tirar e carregar.

   Os três voltaram para a roça, a pé. Tiraram a bateria do Jeep e o mais velho deu a ordem.

   - Você carrega primeiro. – disse dirigindo-se ao irmão mais novo, que obedeceu na hora.

   O caçula carregou a bateria até no alto do pasto, voltou e chegou a vez do irmão do meio carregá-la. Colocaram a bateria no carro, deram a partida e nada. Repetiram o serviço por três dias seguidos e, como nada conseguiram, venderam o Jeep.


Por  Geraldo Magella de Carvalho 
Contos & Pontos, pág.102

O Roubo do Relógio


     

      Naquele arraial do Pau Fincado, havia um sujeitinho danado pra roubar coisas. Às vezes galinha, às vezes cavalo, às vezes coisas miúdas. A verdade é que o dito cujo era chegado em surrupiar bens alheios.
Todo mundo daquele arraial já estava até acostumado com os tais furtos. E a coisa chegou a tal ponto de constância que bastava alguém da por falta de qualquer objeto e lá vinha o comentário: ``Ah, foi o Justino Larápio´´.
    E foi numa dessas que sumiu o relógio do cumpadi João, um cidadão por demais conhecido por aquelas bandas do Pau Fincado. Foi a conta de sumir o relógio dele para o dito cujo correr pra delegacia mais próxima e dar parte do fato.
O delegado pediu que o sêo João arranjasse três testemunhas para lavrar o ocorrido e então prender o tal ladrãozinho popular. Arranjar três testemunhas de que o tal Justino havia surrupiado qualquer coisa era fácil, dado a popularidade do dito cujo pra esses afazeres fora da lei.
      A cena que conto agora transcorreu assim, sem tirar nem pôr. Intimado o Justino, eis ali, ladrão, vítima e três testemunhas:
DELEGADO (para a primeira testemunha) – O senhor viu o Justino roubar o relógio do sêo João, aqui presente?
TESTEMUNHA 1 – Dotô.Vê, ansim com os óio, eu num posso dizê que vi. Mas sei que ele é ladrão mêmo. O que ele vê na frente dele, ele passa a mão na hora. Pode prendê ele dotô!
DELEGADO (para a segunda testemunha) – E o senhor? Viu o Justino roubar o relógio do sêo João?
TESTEMUNHA 2 – Óia, dotô ...num vô falá que vi ele fazê isso, mas todo mundo no arraiá sabe que ele róba mêmo, uai. Pode prender sem susto. Eu garanto que foi ele que robô esse relógio.
DELEGADO (para a última testemunha) – E o senhor? Pode me dizer se viu o Justino roubar o relógio do sêo João?
TESTEMUNHA 3 – Dotô, ponho a mão no fogo si num foi ele. Prende logo esse sem vergonha, ladrão duma figa. Foi ele mêmo!
DELEGADO – Mas o senhor não viu ele roubar? O senhor sabe que foi ele, mas não viu o fato em si?
TESTEMUNHA 3 – Num carece de vê, dotô! Todo mundo sabe que ele róba. Pode preguntá pra cidade intêra.Foi ele. Prende logo esse peste!
DELEGADO (olhando firme para o Justino) – Olha aqui, Justino. Eu também tenho certeza de que foi você que roubou o relógio do sêo João. Mas, como não temos provas cabíveis, palpáveis e congruentes.... você está, por mim, absolvido.
JUSTINO (espantado, arregalando os olhos para o delegado) – O que, dotô ? O que que o sinhô me diz? Eu tô absorvido????
DELEGADO – Está absolvido.
JUSTINO – Qué dizê intão que eu tenho que devorvê o relógio?

                                                                                               por Rolando Boldrin

 

Causo contado por meu pai


Era mais ou menos assim, o causo contado por meu pai.
Certo dia, dois vizinhos conversavam: um deles era alto e gordo; o outro, tão baixinho que parecia quase um anão.Eles pensavam em uma maneira de assombrar as pessoas, para se divertirem nas monótonas e escuras noites caldenses da década de 40.
-"Tenho uma ideia," disse o mais alto.
-"Fale, compadre!"
-"Nossa dupla pode formar um grande fantasma".
-"Como, compadre?"
-"Simples: você sobe nos meus ombros, pegamos um lençol branco para nos cobrir e saímos pelas ruas escuras. Garanto que vão pensar que é um fantasma enorme, vão tremer de medo. E nós vamos rir muito"
-"Eu topo, compadre!"
E assim fizeram. A cidade inteira ficou assombrada e arrepiada com o "fantasma da meia- noite", que sempre aparecia pela noite ou madrugada afora.
Em uma daquelas madrugadas, um casal levantou-se, nem o sol havia nascido, pois devia dar conta de uma árdua tarefa: matar dois porcos que haviam sido criados no quintal. Um porco estava enorme (passando da hora de ir para a panela), embora o outro fosse pequenino.
Justamente quando o casal combinava como ia fazer, os dois vizinhos vestidos de "fantasma da meia-noite" passavam pela ruela do casal e ouviram o seguinte diálogo pela janela entreaberta:
-"Mulher, fica com você esta faca menor e você mata o pequenino!"
-"Está bom, marido, toma o facão e enfia na barriga do gordão."
Ouvindo isso, o anão praticamente voou dos ombros do compadre e correu assustadíssimo, pensando que a mulher se preparava para matá-lo. E o compadre gordo, atrapalhando-se com o lençol, tentou fugir desesperadamente..."
Neste ponto, meu pai dava gargalhadas e concluía:
-"Crianças, acho que os compadres estão correndo até hoje!"

                                                                                           Ilza Landi

Zorro em Caldas

Certa vez, estava passando no cinema um seriado do famoso Zorro. Daí surgiu a ideia do Heitor, João Fusco, Hélio do Faustino , Herval , irmão do João Fusco e outros da Gangue, a fazerem uma máscara do Zorro com a finalidade de assustar certos casaizinhos , que ficavam namorando nos bequinhos escuros. 


Quem acabou se fantasiando foi o Herval , que era mais velho e forte. Então , todos combinados , saía o falso Zorro a amedrontar os casaizinhos. Aconteceu, porém, que um dos namorados encarou o falso Zorro e chegaram a lutar, sendo que o Herval acabou machucando o infeliz. Por isso, muita gente na cidade se revoltou e queria descobrir quem era o Zorro para puni-lo Uns diziam quer era o Heitor, outros que era o João Fusco, outros que era o Hélio e até o goleiro Bino foi tido como suspeito. Em uma noite eu estava sozinho em casa quando alguém bateu na porta da cozinha. Abri a porta e me deparei como Alair, todo machucado, com uma capa preta que meu pai havia me dado .Nem pensei perguntar o que havia acontecido. O Alair, dando uma de burro, vestiu a capa preta, colocou um pano no rosto e quis imitar o Zorro. Andou apanhando bastante, mas conseguiu fugir, pulando o muro do quintal de nossa casa, sem que descobrissem sua identidade.

Por Altamyr Ordine

Fordinho 29


Dito, um amigo meu, possuía um caminhãozinho Ford 29 para puxar cana na Fazenda. Tinha comprado à prestação, mas o Fordinho estava acabado.
Ele trabalhava com o caminhãozinho Fordeco durante a semana e no sábado colocava as varas no caminhãozinho e ia pescar. Naquele sábado, ele já tinha tomado 'umas e outras' e ia indo para o Rio Sapucaí. No meio da estrada, apareceu um guarda rodoviário. O policial fez sinal para ele parar. Dito Preto foi indo com o caminhãozinho pelo acostamento. 'Beeeeeeem' lá na frente parou. O guarda chegou e disse:
- Deixa eu ver a carta......de motorista.
- Seu guarda, não vou enganar o senhor. Não vou dizer que tenho carta porque eu não tenho. Comprei esse caminhãozinho para puxar cana na fazenda e ainda não deu pra comprar a......carta.
- Então deixa eu ver o documento do caminhão.
- Seu guarda, não vou enganar o senhor. Não vou dizer que tenho documento porque não tenho. Ainda não comprei não, senhor.
- Não tem carta, não tem documento...
- Mas todo mundo me conhece por essas bandas, seu guarda. É só perguntar. Todo mundo sabe que o caminhãozinho é meu. Quando tiver tempo, vou comprar a carta e o documento lá com o delegado.
- Então acende os faróis.
- Vai desculpar, seu guarda, mas o direito não tem. E o esquerdo tá queimado.
- E a buzina?
- Não vou dizer pro senhor que tenho, porque não tenho. Comprei o caminhãozinho à prestação e não deu pra colocar a buzina.
- E o breque? Pelo menos o breque, o senhor......tem?
- O senhor acha que se eu tivesse breque não tinha parado lá atrás, quando o senhor mandou?
- Se eu for multar o senhor, a multa vai ser tão alta que nem vendendo o caminhãozinho o senhor vai poder pagar. Então, vai pescar de uma vez.
- Mas não tem bateria, seu guarda. O senhor ajuda a empurrar?
E o guarda empurrou.                                                                                                   

                                        Por Rolando Boldrin

Na casa da Claudininha


Existiu, nesta terra de Mané Coco, uma pessoa muito querida por todos, a Claudininha. Morava ao lado da casa do Dr. Reinaldo, em frente ao Posto Ipanema, antes chamado de Posto do Tide. Lembrei-me dela ao falar do Belline que a protegeu no final de sua vida. Ela morava com sua irmã e, como eram somente as duas na casa, tinha receio de que algo lhes pudesse acontecer. As noites eram longas para as duas, o medo, por estarem sozinhas, sempre as acompanhava. Certa vez, durante a visita de um vendedor, externaram seus temores, mas demonstraram grande presença de espírito, tornando um fato comum em um acontecimento pitoresco.
Quando faziam crochê,alguém bateu à porta.
- Quem é? Perguntaram quase juntas.
- Sou um vendedor de livros e estou visitando as pessoas desta cidade.
Claudininha levantou-se, dirigiu-se à porta e a abriu.
- Bom dia, senhor vendedor. Desculpe, mas não estamos interessadas em livros no momento.
- Minha senhora,- falou o vendedor- estou andando desde cedo, não consegui vender nada e estou com muita sede. A senhora não poderia, ao menos, me dar um copo d´água?
- É claro, meu filho. Entre por favor.
A Claudininha foi buscar água. Trouxe uma moringa com uma caneca de alumínio. O visitante bebeu e repetiu. Realmente estava com sede.
- Muito obrigado. – disse. A gentileza das senhoras me comoveu bastante. Ainda existe gente boa neste mundo.
- Que é isso, meu filho. Jesus mandou “ Dai água a quem tem sede” ... e nós obedecemos. Aliás, o que fazemos na vida: obedecer sempre a Deus. Como moramos sozinhas nesta casa, temos boa vontade em servir e receber bem.
- Bem, eu vou embora, qualquer dia volto e venho vê-las.
Quando o vendedor saiu, a Claudininha caiu em si, levantou-se e disse para a irmã: 
- Minha Nossa Senhora, você falou para ele que nós moramos sozinha aqui. Isso é um perigo danado. Ele pode ficar por aí e à noite voltar aqui para roubar e até matar a gente. Invente alguma coisa.
A irmã, demonstrando rapidez de raciocínio, correu até o portão, viu o vendedor e gritou:
-Ei, vendedor, olhe aqui.
O pobre coitado, pensando que ela resolvera comprar alguns livros, virou-se todo animado.:
-Sim, minha senhora, pode falar.
- Eu falei para o senhor que eu e minha irmã ficamos sozinhas aqui em casa, mas é só durante o dia, viu? À noite, nossa casa fica cheia de homens.
Quem estava por perto deve ter morrido de rir. A saída para a situação foi inteligente, mas a interpretação foi funesta.

Por Geraldo Magella de Carvalho 
Contos & Pontos, página 41.

Seguindo as instruções do técnico

       Quando uma porta se fecha, outra se abre. Nessa altura da história surgiu o grande Sebastião Muniz, pai do Lute. Homem de alma limpa e protetor esportivo de uma geração. Fez, em frente à sua casa, um campinho que foi batizado de Campo do Bastião Muniz, onde hoje é o campo do Caldas Tênis Clube. Ali realizávamos grandes jogos e treinos antes de irmos para o campão. Nos treinos do Campo do Bastião Muniz, o Nino não podia passar do meio do campo. Motivo: chutava muito forte.

        

       Não posso deixar de relatar uma cena muito engraçada que ali se passou. O conhecido Carlinho do Doca era menor em relação à nossa turma e, por isso, não podia jogar com a gente. Vivia “enchendo o saco”. Um dia, quando faltou um jogador para o treino, o Bastião mandou o Carlinho ficar no gol. No primeiro ataque do adversário, o atacante escapou sozinho e o Bastião Muniz gritava:

      -Sai, Carlinho, sai, Carlinho!

       Grande goleiro, ao invés de sair para obstruir o atacante, simplesmente liberou a área do gol e deixou a bola entrar. O Bastião gritou:


      -O que é isso, Carlinho?

      E ele respondeu gaguejando:

    - O senhor mandou sair e eu sai.


Por Geraldo Magella de Carvalho
Contos & Pontos , 2001, página 3,

O sonhado campinho

Costumávamos jogar bola em frente à casa do Mário Lopes. Ele e a família toda não se importavam porque o Tinho (Valter Guimarães Lopes) jogava com a gente. Eu me lembro de um dia em que o Tinho chegou comendo mandioca cozida com açúcar e nos ofereceu. Para azar dele, todo mundo aceitou e acabamos com toda a mandioca que haviam cozinhado. 
Não sei como, mas o tal de Jessé cedeu o terreno de sua propriedade no Morro da Barreira para que construíssemos um campo de futebol para nós. Ficamos todos (Nino, Edgar Nicoleti, Toninho do Faustino, Lau, Buru, Magela, Tinho , Nenê (Osmar), Zezé Macaco , eu não sei mais quem) entusiasmados e, com muita força de vontade, partimos todos para o local  com enxadas, enxadões, picaretas, pás e tudo o mais que conseguimos para o serviço de terraplenagem. 


Depois de muito trabalho , conseguimos deixar o local em condições de praticar o futebol. Não é que o bendito do Jessé gostou do serviço, agradeceu e disse que ia construir uma casa no nosso sonhado campinho...

Por Altamyr Ordine

Na chácara do meu amigo

Entre outros , eis um causo para desopilar o fígado:

Certo dia, Glaicon do Joaquim Machado convidou-me e ao Hélio Amoedo para irmos buscar uva na chácara do pai dele. A distância da cidade até a chácara era bem longa, mas fomos a pé. Acontece que, na metade do caminho, o Glaicon e o Hélio entraram em um parreiral e começaram a apanhar uvas. Então, eu também entrei , pensando que era a chácara do Joaquim Machado.


Porém , em determinado momento apareceu um homem com uma cesta na mão e o Glaicon com o Hélio saíram correndo. Eu não entendi o porquê daquilo. Aí o homem chegou e falou para mim:
_ Ô seu moleque, tá roubando uva é?
_ Eu não, esta chácara é do pai do meu amigo.
_ É não. Esta chácara é minha , mas se me ajudar a encher esta cesta você pode chupar uva à vontade. Assim, eu caprichosamente apanhei os cachos mais bonitos para a cesta daquele homem. Em dado momento, porém, o tal homem gritou :
_ Ô moleque, corra que o verdadeiro dono vem aí. E saiu em disparada. Eu corri também e fui encontrar o Glaicon e o Hélio dando risada.

Por Altamyr Ordine